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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sobre os Amigos

Quem gostar de postura boa
Vai agora ter que parar de ler,
Ou se decidir continuar
Vai ter então que me desculpar
Mas amigo não é coisa pra se guardar
Como já falava a canção
Mas amigo é coisa pra se levar
e pra se Mostrar
dentro e fora do coração

É não ter medo de parecer besta
e nem se preocupar com a besteira deles.
Agir ao natural, com ou sem roupa
Estar entre irmãos
De diferentes pais e mães.

É estar com amantes, colegas
Afetos, parceiros, cúmplices.

É rir e chorar quando der vontade.
É reclamar do que não te agrada.
É um comprometimento
Sem se comprometer.

Ser feliz depende de ter bons amigos
De preferência poucos.

É bom também ter aquela amiga
Que te troca um olhar
Em que se sente o prazer de flertar.
Aquela diferente, especial,
Que te faz sentir vivo,
Desejado e desejando.
Se possível for ter aquele momento
De consumar na carne
Aquele velho e bom desejo humano...

E sem vergonha, pois a vergonha sim é que é pecado.

Conversar até perder o fio da meada
Quando o sono ganhar a batalha
E depois acordar e tomar café
Falando da Xuxa e do Pelé,
Ou da metafísica da fé
E qualquer outro assunto
Que por mais besta que seja
Está entre amigos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

E aí?

Não estou aqui
Se estiver alguma coisa
Estou nem aí
nem lá.

Se querem saber,
estou onde eu quero
que é quase onde devo
mesmo quando tenho que ir.

Se quiser me seguir
vai chegar
onde não se é pra estar.

Então me deixa aqui
Onde eu não estou.

sábado, 24 de maio de 2008

Pedro e Luzia

Luzia achava que amava Pedro.
Pedro amava Luzia.

Luzia estava cheia.
Pedro amava Luzia

Luzia desanimou.
Pedro amava Luzia.

Luzia gritou.
Pedro partiu amando Luzia.

Luzia chorou.
Pedro embarcou amando Luzia.

Luzia sentiu saudade.
Pedro soluçou amando Luzia

Luzia supirou amando Pedro
Pedro quase naufragou olhando a foto de Luzia.

Luzia cultivou o amor solitário.
Pedro esqueceu o amor não correspondido.

Luzia estava cada dia mais apaixonada.
Pedro estava cada dia mais vazio.

Luzia esperou Pedro.
Pedro não voltou.

Luzia amava Pedro.
Pedro não amava mais Luzia.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tragédia Grega


Olhamos e no olhar
Unimos nossas almas
desafiamos a lógica
e gritamos aos deuses
que se calassem diante
de nossos beijos de amor

Eles loucos gritaram
ante a nossa heresia
e de todos os lados
os ventos dessa ira
sopraram nossas máscaras
e nos encheram de dor

Esquecemos do olhar
nas palavras lutamos
na personalidade do outro
nos perdemos do começo
despencamos no final
frio, feio e sem cor

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ana Voava


Ana voava
No céu semi-nua
Brincava de lua
E escandalizava

Cidade pequena
Sem entender
Queria esconder
A fada morena

Mas Ana brincava
O céu o seu lar
Seu ser singular
Ninguém afetava

O padre perneta
Ficou revoltado
Disse indignado
Que era o capeta

O pai, por Deus
Pediu que descesse
Antes que padecesse
Da fúria dos seus.

Ana fugiu
No meio da noite
Em chuva de açoite
Ficando febril

Viu a cidade
De Carros e luzes
Luas e cruzes
Nova novidade

Desceu e então
Virou um frisson
Ganhando neon
E televisão

Depois o jornal
Depois a igreja
Depois a peleja
Intelectual


Voltou para casa
Dessa vez a pé
Voltou à sua fé
Fugindo da NASA

Então se casou
E teve menina
Chamada Celina
Nunca mais voou.

Mas hoje Celina
A lua olhou
E leve voou
Sem medo da sina.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sob a Pedra


Vou escrever numa pedra
Todos os meus grandes feitos

Vou escrever também os erros
E os nomes dos meus amores

Escreverei também todos meus desafetos
E o resultado das minhas lutas

Vou escrever o que eu penso de você
E o que eu penso de todo mundo

Vou escrever também o que eu penso do mundo
E como eu cheguei na pedra.

Depois, quero ser enterrado debaixo dela
Pois sempre me falaram para pôr uma pedra sobre tudo isso.

Até o dia que alguém a remover.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A Dança


Danço com você a dança sem música
de rosto e corpo colado
na batida do seu pulso

Tremo e temo não saber o que fazer
crio limites que eu penso que são seus
e tenho medo

Te dispo sem tocar na sua roupa
te beijo sem tocar nos seus lábios
me perco

Atrapalhado olho no seus olhos
lembro que nada aconteceu
e se vai o delírio

E vou insatisfeito
sabendo que nosso melhor momento
nunca aconteceu.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

De Chico


Hoje eu acordei de Chico
Joguei uma pedra na Geni
Não pude ouvir clarim
e a roda viva levou a minha viola

E aí eu era o herói
A gente agora já não tinha medo
Nós perdemos a noção da da hora
E depois jogamos tudo fora

Fiquei com apenas uma pedra no meu peito
Quando a Rita levou meu sorriso
A moça triste que vivia calada sorriu
E só Carolina não viu

Pedi o Neruda que você emprestou
E isso foi a gota d'água
Mas eu tô me guardando
Porque amanhã vai ser outro dia.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A minha Declaração


A minha declaração de amor eu não escrevi
Guardei na gaveta da alma
Esqueci trancada e perdi a chave
E até hoje não sei o porquê

A minha declaração de amor é silenciosa
E brota num instante do meu olhar
Também no jeito que eu ando
E muita gente já notou isso

A minha declaração de amor não existe
Porque eu nego a quem me pergunta
Não importa qual seja o motivo
Não importa o meu sentimento

A minha declaração de amor é livre
Do olhar dos que reprovam
Da inveja dos que desejam
Da incerteza de quem duvida

A minha declaração de amor você não ouviu
Porque eu nunca me declarei
Ainda que deixasse claro pra você
A minha declaração de amor

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Sobre um chão de cola

Se por acaso tiveres uma camisa de força...
Vista-me!
Ouse tirar minha insanidade a qual já não agüento
Minha falta de bom senso que não suporto

Caso carregues uma algema...
Prenda-me!
No pé da cama, no banheiro, sem fantasias...
Prenda meus pensamentos, faça-me voltar a terra!

Não preciso explicar porque vivo dispersa
Entenda que as vezes cansa ser como você
Trabalhar por dinheiro, esquecer da vida.

Eu geralmente me esqueço do trabalho
Por que o trabalho não é a minha vida
Dinheiro é necessário, mas não corre em minhas veias.
(Esses homens robôs conectados, essa geração avançada...)

Ou apenas corte minha língua, tire minhas vontades
Meus sonhos, minhas ilusões, meus pensamentos
Minha revolta.

Me tranque num quartinho pequeno
Sem comida, sem água, sem você.


(Aaaaaaaah estou cansadaaaaaaa!!!)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vida abstrata


Nem sempre estou só
Estou rodeado de pessoas
Pessoas nada além de pessoas
Queria eu ter o poder de julgar
O certo e o errado, o bom e o ruim

Sinto um grande vazio
Um vácuo em minha alma
Onde nada vive
Nada nasce... nem morre
Apenas o nada toma conta

Felicidade, algo que todos
De uma forma ou de outra
Vêm buscando, uma obsessão
Na qual quanto mais você a procura
Mais infeliz você à de ficar

Será que eu cansei?
Cansei de procurar a reposta
A resposta cuja á pergunta
Seria a resposta em si
Na verdade eu cansei

Não agüento mais esperar
Esperar por algo que
Eu sei que nunca chegará
Algo q eu não sei se existe
Ou se um dia existirá

Sinto uma angustia quando
Penso em meu sonho
Que pode até parecer engraçado
Mas meu maior sonho
É um dia poder sonhar

Do que adianta sonhar?
Mais há uma pergunta
Mais importante a indagar
Do que adianta não sonhar?
Se apenas sonhando, a resposta chegará

O mais sábio não é
Aquele q tem a melhor resposta
E sim aquele q possui a melhor pergunta
E minha maior questão é:
O que eu devo questionar?

























Rubens Canestraro Junior
Um grande amigo meu, te desejo tudo de bom irmão.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Livrar


Já disse para não invadir meu banheiro.
Para sair do meu quarto.

Não entrar na minha cozinha.
Não permanecer na sala,
de aparecer nas musicas,
de dançar nos meus sonhos.

Não quero que me observe no banho,
No café da manhã ou quando me deito.

Chega de manipular os meus lábios
Fazendo-me balbuciar o teu nome,
De apunhalar-me com lembranças
Trazendo a tona minhas lagrimas e com elas
Minhas frustrações.

Pare de me acender o cigarro
No qual procuro conforto e não ansiedade.

Não tente se esconder no fundo d meu copo de cerveja
Não quero ver, nem sentir tua melancolia ou piedade.

Não me encontre na balada para dizer que estou só
Ou que ninguém me quer ou se quer me entendem.

Não se transforme no pó da minha maquiagem
Fazendo-me fantasiar de Elvira a rainha das trevas.
Tire o preto triste do meu guarda-roupa
E deixe apenas as peças que valorizem minha personalidade
Não o meu corpo.

Leve embora com você todos os poemas que te fiz.
Poemas que invocam tua presença.

Quero-te bem longe, infinitamente distante!
Sei que és persistente, sei que me seguirás.
Mas Morte! Aceite tudo tem seu tempo.

E hoje eu não te quero mais.
Passar bem, bem longe de mim.
Obrigado.

Ainda jovem, viva, e amando muito...
Sua antiga admiradora Lovely Leah....
Kissus.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Se... até quando?



Se tua boca fosse morada minha
Receptiva e calorosa
Arderiam os beijos
Queimaríamos a alma

Como se fosse pecado amar
A paixão abominada pelas leis divinas
E o desejo só ao mal pertencesse

Teus braços seriam refugio
Abrigo do medo, da ansiedade
Abraços de felicidade e entrega
Uma queda em um mundo desconhecido

Como se a terra não existisse sob meus pés;
O horizonte fosse a marca do teu sorriso
E o infinito a cor dos teus olhos

Se não fosse tão lânguida a tua atenção
E teu coração tão distante, poderia sentir
Meu corpo chamando pelo seu, meu coração
Batendo no ritmo certo para te conquistar

Mas como nunca deveria ser, entendemos tudo errado
O seu medo de entrega causa conflito em meu corpo
Descompassando meu coração para uma canção triste e solitária.
(imagem do filme "minha vida sem mim" 2003)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Estranho...


É estranho

É estranho querer te mais perto, sendo que já está em mim.

É tão presente nesta sua ausência que relendo as coisas que escrevi percebo que você nunca foi embora.

Esta dificuldade de escrever, o momento da pausa entre o papel e a caneta, não é a minha essência, é a dificuldade de admitir sua singularidade e não saber como descrevê-lo.

Não sei se você é só sorriso, até nos momentos de angustia, se foge do mundo para encontrar a vida, para respirar, para se salvar, para ser um pouco eu; sem você saber.

Ou seria eu tentando ser você... querendo ter você.

É confuso, medonho.

Tanto que chega a ser inaceitável, saber que está tão longe e aqui dentro.
E este sonho doi tanto na vida real.

“Em algum lugar bêbada em 2006”

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Metade




Isso vai ser meu hino durante muito tempo!




Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio


Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza


Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância


Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei


Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

(Oswaldo montenegro)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Not enough

The time is not enough.
The inspiration is not enough.
The distance is not enough.
The missing is not enough.
The money is not enough.
The empty eyes are not enough.
The knowledge is not enough.
The loneliness is not enough.
The touch is not enough.
The words are not enough.
The patience is not enough.
The food is not enough.
The will is not enough.
The feelings are not enough.
Even the longing is not enough.

She feels so weary sometimes…

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Descaminhos e Recaminhos

Tudo tem um motivo de ser
Mesmo que nos seja desconhecido
nada acontece por acaso
nada segue sem rumo
mesmo que pra nós seja incerto
segue sempre os desígnios ocultos
guiados no fundo por nós mesmos de antes ou depois...
Talvez nada faça sentido e até traga arrependimento
mas talvez o arrepender-se seja o motivo
ou algo além disso... talvez o vilão exista para revelar o herói...
Sigo seguindo estes caminhos sem saber onde eles vão chegar,
sabendo que a beleza está no efêmero de cada momento
e que o começo e fim de cada caminho
seguem a função de fazê-lo existir.
Talvez pudesse ser diferente
e em algum lugar de fato o é...
agora não sei.
Quando pensei que estava sem caminhos,
percebi que outros devem se desenrolar pela minha frente
ou não...
mas que ao segui-los jamais posso esquecer
de observar a paisagem
e guardar no coração as lembranças.
Sigo e espero reconhecer nos momentos
a razão de ser feliz
estando ou não estando feliz.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Shhhhh!

Apagam-se as luzes
e antes que se abram as cortinas
Silêncio
Ensurdecedor,
Cheio de Expectativas...
O que virá?
O que veremos?
O que viveremos?
Pensamos em mil coisas...
Esperamos duas mil...
Mas o Silêncio é o Rei
é o seu momento...
Podemos sentir
mas nada ouvimos.
Somente esperamos em
Silêncio.
Mortal
e ao mesmo tempo tão sutil...
Efêmero,
mas parece durar uma eternidade
Intenso,
mas pode ser quebrado com uma palavra
Silêncio
O que os sábios aprenderam
é que ser sábio não é saber falar,
mas sim saber ouvir
o que ele tem a dizer,
pois sabem que ele é o único
que nos faz saber,
o que o nosso eu
quer mesmo dizer,
quando pensamos em
Silêncio
Talvez ele guarde o segredo,
dos segredos o mais escondido.
Aquele que nunca saberemos
a não ser quando não pudermos mais dele nos livrar
e que só conheceremos
no fim de tudo.
Pena que este segredo
ele não possa contar,
ainda que tente,
porque ele é mudo,
e no fim das contas.
É Silêncio...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Pense nas cicatrizes...



Pense nas cicatrizes...
Têm cheiro de barro e de bola de couro desfiada, bicicleta com corrente quebrada.
Uma queda na grama, uma topada, subida, escalada em limoeiro, pé de laranjeira, laranja da vitória, tem cheiro de galho, de esconderijo. Tem cheiro de pega-pega com vento madrigal escolar no rosto, tem cheiro de muro, bolinha de gude gelada.

E nas cores das cicatrizes? Chinelo azul havaiana, cinto marrom fivela prateada, cinza asfalto, incolor cerol, ferrugem cerca farpada do vizinho, verde musgo escorregão na pedra, vermelho sangue do nariz...

E quão estranhas são as cicatrizes invisíveis, elas não possuem cores, e quase nunca tem odores próprios, somente melodias tristes, e como podem então marcar muito mais?

As vezes essas cicatrizes surgem sem esforços, sem escaladas triunfais, sem espancamentos ou coisas assim... E sutilmente essas cicatrizes nos impedem de varias aventuras, de varias conquistas...

E por isso que ainda hoje corro na chuva, pulo corda imaginaria, puxo rabo de gato, aborreço crianças com dentes afiados, ando com o cadarço desamarrado, fecho os olhos quando pedalo, e discuto com bandido...

Mas não revelo sentimentos, e escondo a sete chaves meus pensamentos.

Tudo para poupar o triunfo de cicatrizes invisíveis...